O papel dos idosos na sociedade pós-pandemia: as trilhas da longevidade

Para discutir os desafios da população idosa no Brasil e Ibero-América, especialmente os efeitos da pandemia da Covid-19, renomados especialistas internacionais e nacionais da área se reúnem, neste mês de julho, na série especial de webinários internacionais “Trilhas da Longevidade: desafios diante da pandemia”.

A iniciativa inovadora é realizada pela Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI) e o Centro Internacional de Longevidade (ILC), em parceria com a instituição Inteligência Educacional. O evento tem o apoio da Unibes Cultural.

Os encontros serão realizados nos dias 9, 16 e 23 de julho e têm o objetivo de discutir, por meio de debates online, conhecimentos sobre os diversos aspectos que envolvem a longevidade, como qualidade de vida dos idosos, saúde, economia e cultura, além das políticas públicas específicas para essa população. “Precisamos repensar a valorização dos nossos ancestrais e o seu papel na sociedade”, alerta o presidente do ILC, Alexandre Kalache.

Para trocar experiências sobre esses aspectos, o evento reúne especialistas da Argentina, México, Espanha e Portugal, países que carregam semelhanças, mas também muitas características singulares. “Nosso objetivo foi trazer estudos de casos de culturas mais próximas à brasileira para entender o que deu certo, o que deu errado e o que nós podemos fazer para elaborar uma resposta mais efetiva no cuidado com os idosos, principalmente diante do momento delicado que vivemos mundialmente”, destaca o presidente do ILC.

Kalache evidencia a importância de entender os elementos determinantes para respostas mais bem-sucedidas nos países da região. “Na América Latina vemos situações completamente diferentes no México, Argentina e Brasil. Por isso a importância de compartilhar conhecimento, fazer análises profundas e aprender com o que aconteceu”, ressalta.

O primeiro webinário, no próximo dia 9, será aberto pelo chefe da representação da OEI no Brasil, Raphael Callou. “Os encontros trarão um panorama das políticas públicas realizadas na Ibero-América, oferecendo ao Brasil um bom diagnóstico e ao conjunto da sociedade a oportunidade de discutir esse tema com a profundidade necessária”, ressalta. Um relatório final será consolidado no terceiro webinário, dia 23 de julho, ocasião que contará também com a participação do secretário-geral da OEI, Mariano Jabonero.

Lançamento – Dentro da série de webinários, a instituição Inteligência Educacional irá lançar a publicação “Trilhas da Longevidade”. O conteúdo da coleção é inédito ao sugerir formas de envelhecimento planejado. O material, composto por quatro livros, propõe mostrar o caminho para proporcionar uma vida melhor e mais feliz para as gerações futuras. Cada publicação é voltada para um público específico: a pessoa idosa, a família, os cuidadores, além de apontamentos sobre gestão e políticas públicas.

A diretora e CEO da Inteligência Educacional, Milena Araújo, destaca que é preciso estudo e planejamento para que a nação envelheça de forma digna, garantindo o bem-estar para toda a população brasileira. “Permitir que o assunto seja desenvolvido em um evento internacional, em que teremos opiniões, exemplos, práticas e diagnósticos se faz fundamental para se estruturar propostas e políticas públicas sobre longevidade saudável. Por isso o Webinário Trilhas da Longevidade é tão caro para o assunto”, diz.

Serviço:
Série de webinários – Trilhas da Longevidade – desafios diante da pandemia
Realização: Organização dos Estados Ibero-Americanos
Datas: 09, 16 e 23 de julho
Horário: 11h30 às 13h
Plataforma: Youtube.com/OEIBrasil ou @OEIBrasil
Inscrições para certificação: https://bit.ly/webnário-internacional-trilhasdalongevidade

segs.com.br

Envelhecer, simplesmente envelhecer!

Deixem-me envelhecer sem compromissos e cobranças,

Sem a obrigação de parecer jovem e ser bonita para alguém,

Quero ao meu lado quem me entenda e me ame como eu sou,

Um amor para dividirmos tropeços desta nossa última jornada,

Quero envelhecer com dignidade, com sabedoria e esperança,

Amar minha vida, agradecer pelos dias que ainda me restam,

Eu não quero perder meu tempo precioso com aventuras,

Paixões perniciosas que nada acrescentam e nada valem.

Deixem-me envelhecer com sanidade e discernimento,

Com a certeza que cumpri meus deveres e minha missão,

Quero aproveitar essa paz merecida para descansar e refletir,

Ter amigos para compartilharmos experiências, conhecimentos,

Quero envelhecer sem temer as rugas e meus cabelos brancos,

Sem frustrações, terminar a etapa final desta minha existência,

Não quero me deixar levar por aparências e vaidades bobas,

Nem me envolver com relações que vão me fazer infeliz.

Deixem-me envelhecer, aceitar a velhice com suas mazelas,

Ter a certeza que minha luta não foi em vão: teve um sentido,

Quero envelhecer sem temer a morte e ter medo da despedida,

Acreditar que a velhice é o retorno de uma viagem, não é o fim,

Não quero ser um exemplo, quero dar um sentido ao meu viver,

Ter serenidade, um sono tranquilo e andar de cabeça erguida,

Fazer somente o que eu gosto, com a sensação de liberdade,

Quero saber envelhecer, ser uma velha consciente e feliz!!!

Gosto desta crônica de M.Concita Weber, combina perfeitamente comigo.

Bia Perez/ Terceiro Ato

Renato Aragão: “como é ser demitido na velhice?”

 

Apesar de ter ficado fora do ar nos últimos três anos na Globo, Renato Aragão ainda tinha o nome ligado à emissora e fazia participações em programas da casa e eventos como o Criança Esperança. A demissão do eterno Didi surpreendeu quem imaginava que ele poderia ter um acordo vitalício com a empresa. Aos 85 anos de idade, o líder dos Trapalhões se viu desempregado após 44 anos de contrato.

Como encarar a demissão na velhice? No caso de Aragão, que tem boa situação financeira, familiar e de saúde, o maior desafio é a questão da produtividade e a “preparação” para essa mudança de status na carreira. É o que explica Sigmar Malvezzi, doutor em Psicologia Organizacional e professor do Instituto de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo), em entrevista ao Notícias da TV.

“O que precisa fazer é criar estrutura e preparar o indivíduo para essa mudança na vida. Se você não faz isso, você é cruel”, ensina o especialista. Renato Aragão se reinventou antes mesmo de perder a segurança que tinha com o seu contrato.

O humorista se tornou um fenômeno na web, com mais de 3,5 milhões de seguidores no Instagram e mais de 1,1 milhão de fãs no Tik Tok, a rede social do momento. Sem produzir para a Globo, foi na internet que ele encontrou uma forma de não ficar parado e continuar fazendo graça para quem sempre o acompanhou.

“Em si mesmo, a demissão não é um problema. Depende do caso. Mas o que é preciso fazer é se preparar para a mudança, fazer pequenas tarefas e algumas dessas pequenas podem ser profissionais”, ressalta Malvezzi.

Sem a cobrança diária de resultados de audiência, patrocinadores e tudo o que envolve um programa de televisão, a rede social se tornou uma ferramenta de diversão para Renato Aragão e a família. E agora, fora da Globo, existe a chance de fechar projetos específicos com outras empresas, como Netflix e Amazon, ou até mesmo com a antiga casa. Mas sem pressão por números.

“A aposentadoria é uma necessidade, porque o indivíduo chega em um ponto da vida que ele não tem mais condição de acompanhar a dinâmica do mundo, então ele precisa estar em um sistema que o proteja da competitividade feroz”, opina o professor da USP.

UOL/USP

Ele envelhece Bem_ Ary Fontoura, 87 anos

 

No ar na novela Êta Mundo Bom!, da Globo, Ary Fontoura tem feito sucesso inesperado no Instagram. Desde que iniciou seu isolamento, em março, o ator de 87 anos começou a compartilhar com o público cenas de seu dia a dia na quarentena. Fotos em que mostra praticando atividades físicas, limpando a casa, tomando sol, preparando alguma receita na cozinha, entre outros momentos triviais da vida doméstica.

Assim, com postagens simples, de incentivo, Fontoura atingiu recentemente a marca de 1 milhão de seguidores. E, sem essa pretensão, tornou-se influenciador digital. “O que mais há hoje em dia são pessoas descuidadas, andando sem máscara na rua, em aglomerações, vivendo como se não houvesse amanhã. Como se a vida continuasse igual ao que era. Não é verdade, estamos em estado de alerta ainda. É uma das coisas que faço questão de manifestar por meio da minha página do Instagram”, diz o ator, em entrevista ao Estadão, por telefone, de sua casa no Rio.

Ele conta que começou seu perfil na rede social para exibir fotos da carreira e de sua rotina. “De repente, passou a ser uma página elucidativa para muitas coisas: como estava sendo para mim, ao mesmo tempo que meu aprendizado acontecia, eu transferia para as pessoas.”

São atividades que, segundo Fontoura, já faziam parte de seu cotidiano. “A gente que é ator, que tem uma longa carreira, fica sozinho em apart-hotel, tem de fazer as coisas para a sobrevivência. Então, eu sabia lavar uma roupa, fazer uma comida, pelo menos uma omelete para poder ficar em pé. Isso é como escovar os dentes, é uma coisa que todo mundo tinha de aprender. Pegar uma vassoura e sair varrendo, só não faz quem não quer.”

E por que ele acha que essas postagens andam tocando tanto as pessoas? “Elas acharam que eu estava fazendo um grande bem. Na verdade, estou ainda, transmitindo meu bom humor, paciência, falando que, enquanto há vida, há uma esperança muito grande. E deu certo, as pessoas são muito carinhosas.” Além disso, o ator diz que faz questão de responder aos comentários. “Mas não é tudo uma maravilha, não. Alerto todo mundo para que não se distraia, para que continue dessa maneira, porque, quando se anunciou o vírus no Brasil, a gente já sabia o que estava acontecendo lá fora.

A todo momento, estou me informando e vendo notícias na televisão sobre o que está acontecendo nos Estados. Quando as pessoas saem à rua, parece que o mundo vai acabar, sai todo mundo de uma vez só. E se continuarem dessa maneira, se aglomerando, fazendo festas particulares, contrariando as determinações impostas, estão fazendo uma grande bobagem. Se usar máscara é uma necessidade, tem que colocar, sim. ‘Ah porque incomoda, porque é calor’. E daí? Incomoda muito mais ficar numa cama de hospital, sem ter como respirar.”

Compacto do Estadão Digital

Presidente Bolsonaro sanciona com vetos ajuda de R$160 milhões para as ILPIs

O presidente Jair Bolsonaro sancionou, com vetos, o projeto que prevê a destinação de R$ 160 milhões para as Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI). O texto foi publicado na madrugada desta terça-feira (30) no Diário Oficial da União.

As instituições acolhem idosos em situação de abandono ou negligência. Pelo projeto, poderão acessar os recursos as instituições sem fins lucrativos inscritas em conselhos do idoso ou de assistência social.

O presidente vetou as especificações das instituições que poderiam receber o auxílio dizendo que a lei “limita aquelas que serão contempladas”; a obrigação de as organizações prestarem contas e o prazo de 30 dias para o repasse.

Outros pontos

A proposta define que caberá ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos distribuir os recursos de acordo com o tamanho dos asilos, considerando a quantidade de idosos assistidos no local.

O dinheiro, conforme o projeto, deverá ser usado preferencialmente em:

  • ações de prevenção e de controle da infecção dentro dos asilos;
  • compra de insumos e de equipamentos básicos para segurança e higiene dos residentes e dos funcionários;
  • compra de medicamentos;
  • adequação dos espaços para isolamento dos casos suspeitos e leves de Covid-19.
  •  G1

As cidades mais envelhecidas do Brasil não são as mais atingidas pela covid-19

 A pandemia do novo coronavírus causa mais vítimas fatais entre a população idosa. Na China 80% dos óbitos foram pessoas de 60 anos e mais, no Brasil são 73%. Alguém poderia imaginar que os municípios mais envelhecidos (com maior proporção de idosos na população) seriam os mais atingidos. Mas não é bem assim que tem ocorrido, como veremos a seguir.

O envelhecimento populacional ocorre em função da transformação da estrutura etária que acontece em função do aumento da proporção de idosos no conjunto da população e a consequente diminuição da proporção de jovens. Populações envelhecidas são uma novidade na história do mundo e do Brasil. No passado, a estrutura etária era rejuvenescida em todos os lugares, pois a esperança de vida era baixa e os casais tinham que gerar grande número de filhos para se contrapor ao elevado número de óbitos precoces.

Porém, a partir do momento em que as taxas de mortalidade e natalidade declinaram, teve início um processo de mudança da estrutura etária, com redução imediata da base da pirâmide e um alargamento, no longo prazo, do topo da distribuição de sexo e idade. Desta forma, o envelhecimento é o resultado, esperado e inexorável, da transição demográfica.

Uma maneira de medir o envelhecimento populacional é por meio do Índice de Envelhecimento (IE), que é a razão entre o número de pessoas idosas sobre os jovens (crianças e adolescentes). Trata-se de uma razão entre os componentes extremos da pirâmide etária. O IE pode ser medido pelo número de pessoas de 60 anos e mais para cada 100 pessoas menores de 15 anos de idade, segundo a seguinte fórmula:

Índice de Envelhecimento (IE)

Uma população é considerada idosa quando o topo da pirâmide é maior do que a sua base, ou seja, quando o Índice de Envelhecimento (IE) é igual ou superior a 100. Como já dito, o envelhecimento populacional é um fenômeno novo na história da humanidade. O primeiro país do mundo a ter a quantidade de idosos (60 anos e mais) maior do que a quantidade de jovens com menos de 15 anos foi a Suécia, em 1975. O número de países idosos passou para 3 em 1980 e chegou a 52 países em 2015.

O Brasil ainda é considerado um país jovem, mas em processo acelerado de envelhecimento. No ano 2010, segundo as projeções do IBGE (revisão 2018), havia 48,1 milhões de jovens de 0 a 14 anos e 20,9 milhões de idosos com 60 anos e mais. O Índice de Envelhecimento (IE) era de 43,4 idosos para cada 100 jovens, conforme mostra o gráfico abaixo. Em 2018, o número de jovens caiu para 44,5 milhões e o de idosos subiu para 28 milhões, ficando o IE em 63 idosos para cada 100 jovens.

O Brasil vai se tornar um país idoso em 2031, quando haverá 42,3 milhões de jovens (0-14 anos) e 43,3 milhões de idosos (60 anos e mais). Nesta data, pela primeira vez, o IE será maior do que 100, ou seja, haverá 102,3 idosos para cada 100 jovens (veja a coluna vermelha no gráfico). Mas o envelhecimento populacional continuará sua marcha inexorável ao longo do século XXI. No ano de 2055, as projeções do IBGE indicam o montante de 34,8 milhões de jovens (0-14 anos) e de 70,3 milhões de idosos (60 anos e mais). O IE será de 202 idosos para cada 100 jovens. Ou seja, haverá mais do dobro de idosos do que jovens.

diminuição da população jovem (0 a 14 anos) e do aumento da população idosa (60 anos e mais) ao longo do século XXI

O gráfico acima não deixa dúvidas quanto à diminuição da população jovem (0 a 14 anos) e do aumento da população idosa (60 anos e mais) ao longo do século XXI. Durante mais de 500 anos, o Brasil foi um país com uma estrutura etária jovem, mas a partir de 2029 será um país com uma estrutura etária idosa. E não haverá mais volta. O futuro do Brasil é ser um país “grisalho”.

Mas este processo de envelhecimento do país não acontece de forma uniforme, pois existem municípios que já estão mais avançados na transformação da estrutura etária e outros que ainda possuem uma estrutura muito rejuvenescida. Em geral, os municípios que foram pioneiros na transição da fecundidade também são pioneiros no envelhecimento. Mas a estrutura etária também é afetada pela migração, assim há municípios envelhecidos em função da perda de jovens e/ou do ganho de idosos.

A tabela abaixo, com base na estimativa populacional municipal de 2015, do IBGE, mostra os 10 municípios com a estrutura etária mais envelhecida (maior IE) do país. Nota-se que os 10 municípios recordistas do envelhecimento estão todos no Rio Grande do Sul (RS) e são municípios com menos de 5 mil habitantes. O município de Coqueiro Baixo com apenas 1.563 habitantes tinha, em 2015, 660 idosos (de 60 anos e mais) e apenas 94 jovens (de 0 a 14 anos). Ou seja, tinha 7 vezes mais idosos do que jovens e o IE era de 702,1 idosos para cada 100 jovens. Forquetinha era o segundo município mais idoso (com IE de 480,2) e Cotiporã o décimo município mais idoso do país (com IE de 233). O Rio grande do Sul é um dos estados brasileiros pioneiros na transição da fecundidade. Mas o alto envelhecimento populacional destes 10 municípios pequenos, provavelmente, foi reforçado pela perda de população jovem que procura os grandes centros em busca de oportunidades de estudo e/ou trabalho.

os 10 municípios com a estrutura etária mais envelhecida (maior IE) do país

Segundo o Ministério da Saúde, até 24 de junho de 2020, Coqueiro Baixo, Rolador e Capão Bonito do Sul não registraram nenhum caso da covid-19. Forquetinha registrou 1 caso, Cruzaltense 7 casos, Canudos do Vale 4 casos, Santa Cecília do Sul 14 casos, Coronel Pilar 1 caso, Cotiporã 7 casos e nenhuma morte entre estes municípios. Santa Teresa teve 12 casos e 1 morte.

A tabela abaixo, também com base nas estimativas do IBGE, para 2015, mostra os 10 municípios mais populosos com a estrutura etária mais envelhecida (IE acima de 100) do país. Niterói, no Rio de Janeiro, com quase meio milhão de habitantes, tinha 96,8 mil idosos (60 anos e mais) para 80 mil jovens (0 a 14 anos), com um IE de 120,9 idosos para cada 100 jovens. Santos, em São Paulo, com população de 433,9 mil habitantes, tinha 93,4 mil idosos e 73,3 mil jovens, com IE de 127,4. São Caetano do Sul, em São Paulo, a cidade com maior IDH do país, tinha 33,7 mil idosos e 25 mil jovens, em 2015, com IE de 134,6. Em décimo lugar, Socorro, em São Paulo, com 39,5 mil habitantes, tinha 7,5 mil idosos e 7,1 mil jovens, com IE de 105,1.

os 10 municípios mais populosos com a estrutura etária mais envelhecida (IE acima de 100) do país

Niterói é, entre as grandes cidades do país (mais de 40 mil habitantes) a mais envelhecida. Mas como mostra a tabela abaixo não foi a mais atingida pela pandemia. O coeficiente de incidência de Niterói é de 10,7 mil casos por milhão (acima da média da cidade do Rio de Janeiro), mas o coeficiente de mortalidade foi de 349 óbitos por milhão (bem abaixo da capital fluminense que tem uma estrutura etária menos envelhecida).

Niterói é, entre as grandes cidades do país (mais de 40 mil habitantes) a mais envelhecida

Para efeito de comparação, a tabela abaixo mostra os 10 municípios com a estrutura etária mais rejuvenescida (menor IE) do país. Nestes 10 municípios, o número de idosos não chega nem a 10% dos jovens. Por exemplo, Ipixuna, no Amazonas, com uma população total de 26,8 mil habitantes, tinha 11,5 mil jovens de 0 a 14 anos e somente 1,1 mil idosos (com 60 anos e mais) e um IE de 9,4 idosos para cada 100 jovens. O município de Jordão, no Acre, com população total de7,5 mil habitantes, tinha 3,6 mil jovens e somente 175 idosos, com IE de apenas 4,8. Em geral, estes municípios muito rejuvenescidos tem forte presença indígena.

os 10 municípios com a estrutura etária mais rejuvenescida (menor IE) do país

Até o dia 23/06, Ipixuna teve 3 pessoas infectadas pelo novo coronavírus, Porto de Moz teve 392 casos e 22 mortes e Oiapoque teve 1.196 casos e 10 mortes. O contraste com os municípios mais envelhecidos é muito grande, pois há mais mortes nos municípios mais rejuvenescidos.

A tabela abaixo mostra os 10 maiores municípios brasileiros com IE abaixo de 20 idosos para cada 100 jovens. Macapá, capital do Amapá, com população de 456 mil habitantes em 2015, tinha 141,6 mil jovens e apenas 24,7 mil idosos, com IE de 17,5 idosos para cada 100 jovens. Parauapebas, no Pará, com 189 mil habitantes tinha IE de 10,8 e o município de Santana, no Amapá, com 112,2 mil habitantes, tinha IE de 18. Estes 10 municípios são de tamanho médio e possuem uma estrutura etária muito rejuvenescida.

os 10 maiores municípios brasileiros com IE abaixo de 20 idosos para cada 100 jovens

Dos 5.570 municípios brasileiros em 2015, 531 cidades possuem Índice de Envelhecimento (IE) acima de 100, sendo, portanto, municípios envelhecidos. Em 2643 municípios o IE estava entre 100 e 50 idosos para cada cem jovens. Em 2162 municípios o IE estava entre 50 e 20 idosos para cada cem jovens. E em 234 municípios o IE estava abaixo de 20 idosos para cada cem jovens. Observa-se, portanto, que menos de 10% dos municípios brasileiros em 2015 estavam classificados como cidades onde a população tem uma estrutura etária envelhecida. Porém, como visto no primeiro gráfico, o Brasil está em processo acelerado de envelhecimento e em 2029 terá, na média, uma estrutura etária envelhecida. Assim, a tendência para as próximas décadas é que um número cada vez maior de cidades passe a ter um Índice de Envelhecimento acima de 100. O envelhecimento é inevitável e o Brasil precisa se preparar para saber lidar com esta nova realidade demográfica.

Como mostrei no artigo “A pandemia da covid-19 e o envelhecimento populacional no Brasil” (20/04/2020), a região mais atingida no Brasil pela covid-19 foi a região Norte que é a que possui a estrutura etária mais rejuvenescida, enquanto o Sul, que é a região mais envelhecida, foi a menos impactada pela pandemia. Isto mostra que a demografia não é destino e que existem outras variáveis que explicam o impacto do Sars-CoV-2 sobre a população. O importante a destacar é que os municípios mais envelhecidos não foram os mais impactados pela pandemia.

José Eustáquio Diniz Alves/[EcoDebate]

Uruguai: o país mais envelhecido da América do Sul tira nota 10 no combate à covid-19

A localização e a demografia do Uruguai podiam condená-lo a tornar-se espaço propício à propagação do novo coronavírus, mas não é o que acontece. Sem ter decretado o confinamento obrigatório, o país que tem quase 1000 quilómetros de fronteira com o Brasil e a população mais envelhecida da América do Sul é aquele que melhor faz frente à pandemia na região. Ao Expresso, um académico uruguaio enumera as razões para esse sucesso

O país que mais êxito tem tido no combate à covid-19 na América do Sul — o Uruguai — é simultaneamente aquele que tem a maior percentagem de população envelhecida, um dos grupos de risco da doença. Dos quase 3,5 milhões de habitantes, 14% têm 65 ou mais anos. Entre os restantes territórios latino-americanos, apenas Porto Rico (pertencente aos EUA) tem uma taxa superior (21%) — Cuba iguala, com 14%.

Ao contrário do que acontece em Espanha e Itália — e Portugal em menor escala —, onde a alta taxa de infeção entre idosos contribuiu para números dramáticos, a quantidade de idosos uruguaios não o parece ter penalizado o país.

Esta quarta-feira, o Uruguai tinha 826 casos de infeção declarados, de que resultaram 23 mortes e 689 pessoas recuperadas. Numa altura em que a América do Sul herdou da Europa o título de epicentro global da pandemia e o Brasil — com quem o Uruguai partilha uma fronteira de 985 quilómetros — é dos casos mais descontrolados a nível mundial, o Uruguai é o país da região que melhor está a lídar com a doença.

“Existem razões estruturais de longa data e razões conjunturais relacionadas com a gestão feita pelo Governo que explicam, conjuntamente, os resultados observados até ao momento no Uruguai”, explica ao Expresso Ignacio Munyo, professor catedrático da Universidade de Montevideu.

“O país tem um sistema de saúde que chega a toda a população, com uma rede de cuidados primários importante e com extensa cobertura domiciliária — algo pioneiro na América Latina — e um sistema de vacinação profundo e antigo que permite aliviar a pressão sobre as unidades de cuidados intensivos.”

Expresso Digital (Portugal)

Lares de idosos à espera do Covid 19 ou da sanção do Projeto 1888/20 até o dia 29

Estacionados na mesa de Jair Bolsonaro (sem partido) estão  projetos de lei para pagamentos emergenciais, aprovados a toque de caixa pelo Congresso Nacional para conter os estragos causados pela covid-19. Os textos tiveram grande apelo público e foram aprovados de forma unânime pelo parlamento, neste mês.  Os mais atrasados são  o PL 1888/20, para dar auxílio a asilos, oficialmente chamados de Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs). O  outro é o PL 1075/20, que trata de ações emergenciais destinadas a trabalhadoras e trabalhadores da cultura. Ambos foram recebidos pelo Executivo em 9 de junho e têm prazo final para sanção no dia 29 do mesmo mês.

“Os idosos são uma população diferenciada no sentido de resposta imunológica. Não necessariamente ele vai fazer febre, ele vai ter aquela respiração mais curta. O quadro clínico é bem mais silencioso”, alerta a infectologista Rosana Richtmann.

O controle da epidemia fica ainda mais difícil porque muitos locais não tem como isolar seus doentes. A grande maioria das casas são pequenas, de 10 a 20 moradores e a maior parte não tem possibilidade de fazer o isolamento e a testagem que são indicados. A Sociedade Brasileira de Geriatria recomenda que casos leves sejam tratados dentro das instituições.

No mês passado, começou uma ação para testar a população no maior número possível de casas de repouso em todo o país. O projeto, chamado Corona Zero, é do Rotary, uma rede internacional de serviços voluntários.

E um dado exclusivo divulgado domingo pelo Fantástico: de 47 casas testadas, a maior parte no estado de São Paulo, 22, quase metade tinham surtos de Covid-19. Nessa condição, as instituições se veem diante de um enorme desafio: como proteger vidas dessa população tão vulnerável ao novo coronavírus?

Quem quiser conhecer mais ou ajudar a campanha do Rotary Clube
pode acessar o site www.coronazero.com.br.

Exercitar o perdão e curar mágoas, possibilidades do isolamento

Qual conselho o senhor daria para um idoso que está solitário e angustiado agora durante a pandemia? “Aproveite o isolamento para pensar em perdão, resolver mágoas e encontrar um foco para o seu envelhecimento. Ele é uma tremenda conquista ”. Esses foram os principais conselhos do epidemiologista e geriatra carioca Alexandre Kalache, 74 anos, durante a entrevista publicada hoje, domingo,  no Estadão Digital.

É possível manter desafios agora, podem ser objetivos bem triviais, como se propor perder alguns quilos se você estiver precisando emagrecer. Pode ser uma meta também manter os amigos e manter o espaço de casa limpo. Faça com que esse lar em que você está confinado seja um ambiente agradável, abra a janela para arejar essa vida que está com bolor. Abra também aquele armário que está entulhado de coisas e separe o que precisa jogar fora e o que pode doar. Essa limpeza tem de ser no espaço físico, mas também na alma e no coração. A pandemia está mostrando o quanto a vida é frágil. Aproveite o confinamento para pensar em pedir perdão, para resolver mágoas. Tente fazer a vida mais leve, com bom humor. Olhe para o seu envelhecimento como uma tremenda conquista.

Pertencentes a um dos grupos de risco da covid-19, os idosos estão ainda mais submetidos ao isolamento por causa da pandemia. Muitos deles encontravam motivação em atividades em grupo como ginástica, universidade para terceira idade e atividades culturais, que hoje estão suspensas. Como lidar então com esse cenário e encontrar ânimo para levantar todos os dias?

Para Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade no Brasil, que dirigiu por 14 anos o Programa Global de Envelhecimento e Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS), não estamos diante de um problema exatamente novo: a solidão, diz ele, já era enfrentada por 4 milhões de brasileiros antes da pandemia.

Em entrevista ao Estadão, Kalache comenta sobre a resiliência que os idosos costumam ter durante crises como a que estamos vivendo e destaca a importância da sociabilidade para o envelhecimento saudável. “Mais importante ainda é ter um propósito, para não sentir que a vida está vazia”, afirma. Um dos lugares em que idosos podem encontrar essa motivação é no trabalho voluntário, sugere.

A seguir, confira os principais trechos da entrevista.

• Quais são os principais impactos que a pandemia pode causar nos idosos?

A covid-19 não forjou nossas mazelas, ela apenas está deixando-as escancaradas. A pandemia traz à tona questões muito antigas. O isolamento de idosos não é uma questão apenas deste momento: cerca de 4 milhões de idosos vivem sozinhos no Brasil, e são pessoas que mesmo antes da pandemia estavam habituadas a viverem só. Muitos idosos enfrentam essa solidão com muita dificuldade, porque não foi por opção – são pessoas que, por exemplo, não tiveram filhos ou os filhos vivem longe. Há também a questão do abuso e dos maus-tratos ao idosos, cujos registros têm aumentado no disque-denúncia. Mas, como sempre, em um país com tantas desigualdades, os efeitos da pandemia são bastante variáveis, dependendo da caixinha em que você está. Há pessoas idosas que têm recursos tecnológicos e sabem usar as ferramentas, o que faz com que elas estejam isoladas sem estarem sozinhas. Ao mesmo tempo, existem idosos que estão preocupados se vão ter o que comer hoje.

• Como os idosos costumam lidar com situações adversas?

Em geral, eles costumam ter bastante resiliência. Como o idoso já passou por muitas e boas, ele consegue ver que há uma luz no final do túnel, enquanto uma pessoa jovem facilmente se desespera, entra em ansiedade e fica com medo da situação. O idosos olha para trás e lembra que já viveu outras adversidades que passaram. A resiliência é você dispor de reservas internas para vencer as dificuldades, os traumas e até as perdas que uma vida mais longa pressupõe. Entretanto, apesar de idosos serem mais resilientes, eles estão sentindo hoje a perda dos dias sem poder ver os netos, os amigos e sem poder passear. E eles sabem que essa é uma grande proporção da vida que lhes resta.

• Muitos idosos que se dedicavam a atividades fora de casa tiveram uma mudança de rotina agora na pandemia, com o confinamento. Que efeito isso pode trazer para eles?

Fazia parte do dia a dia de muitos idosos frequentar espaços que promoviam atividades lúdicas, culturais e físicas. Alguns frequentavam programas de universidades para terceira idade também, e passavam a semana inteira esperando a hora de ir para aula, para aprender e conversar. Muitas vezes frequentar essas atividades significa encontrar pessoas: não é só ir fazer a ginástica, tem uma troca e você está participando e mantendo as suas relações. Muita gente deve estar sentindo falta disso. É uma geração que, mesmo que tenha adquirido o básico em questão de tecnologia, não tem a mesma versatilidade e também não acha tão fácil seguir uma aula de alongamento pelo celular, por exemplo. Isso tem um efeito físico, já que idosos perdem massa muscular mais rapidamente, e também um impacto emocional, que pode se traduzir em um sentimento de solidão.

• Qual é a importância da sociabilidade nesta fase?

Existem alguns fatores que, se acumulados, podem ajudar você a envelhecer com qualidade de vida e a se tornar um idoso vivo e ativo. Primeiro, há os capitais de saúde: acho que todo mundo concorda que se a saúde vai embora, a qualidade de vida também vai. Há também os capitais de conhecimento, porque é importante aprender constantemente para não se tornar obsoleto. Um outro fator é justamente o capital social, mantendo amigos e relacionamentos. A sociabilidade é inclusive um fator de proteção, como ter alguém que cuide de você caso surja alguma doença. Por fim, há o capital financeiro, que não resolve tudo, mas ajuda no envelhecimento. Contudo, esses capitais sozinhos não são suficientes: eles não adiantam se você não tiver um propósito de vida, se não souber por que acordou e se vai levando a vida sentindo que ela está vazia.

• É comum que idosos percam esse propósito na velhice?

Isso acontece sobretudo com os homens idosos, que ao longo da vida se acostumaram a depositar todas as fichas na profissão. Quando eles se aposentam de repente, ficam perdidos. O trabalho voluntário é uma boa opção para encontrar propósito. Encontre uma causa e faça o bem para alguém. Em um país com tanto problema social, tem muita gente precisando da sua ajuda.

• O senhor acha que é possível manter a sociabilidade durante a pandemia?

Temos depoimentos de pessoas que estão agradecendo que existe chamada de vídeo para poder falar com seus netos. A tecnologia, para quem pode utilizá-la, está sendo uma ferramenta salvadora.

• É importante o idoso manter desafios e metas?

Estabelecer metas e desafios é algo importante durante a vida toda. A vida é um curso: você não se transforma de repente aos 70 anos. Quanto mais cedo você começar a se preparar para a tal da velhice, tendo metas e objetivos, melhor. Se você não começou aos 20, comece aos 30, ou então aos 50. Você vai precisar de metas, disciplina e determinação para lidar com esse tempo maior que surge com a velhice. A vida antigamente era uma corrida de 100 metros, mas hoje é uma maratona. É importante a cada dia atingir uma meta e fazer um pouco mais para si a fim de chegar bem no final maratona.

Estadão Digital

Na alegria, na tristeza e na UTI

 

 

Casal octogenário ficou internado lado a lado e se recuperou da covid-19; agora, celebra união. Antonia Lima Teles e Antonio Nascimento Teles, casados há 55 anos, foram internados no mesmo dia, em SP, e chegaram a ser entubados.

Uma das regras do jornalismo pede que as informações principais sejam dadas logo de cara. Casados há 55 anos, Antonia Lima Teles e Antonio Nascimento Teles foram internados no mesmo dia com covid-19 em São Paulo. Pioraram e chegaram a ser entubados. O que acontecia com um se repetia com o outro. Na UTI, sofreram em leitos paralelos. Os dois são do grupo de risco: diabética, ela tem 80 anos; ele, 79. Após cerca de 15 dias, os dois melhoraram e venceram a doença juntos. Hoje, estão em casa. A vitória do casal é quase um abraço em meio ao distanciamento. Além disso, traz um convite para você seguir mais um pouquinho na leitura, além das informações principais.

Os dois chegaram ao Hospital Igesp, na Bela Vista, região central de São Paulo no dia 23 de maio com quadros muito parecidos: síndrome gripal há cinco dias. Os dois exames de tomografias sugeriam covid, o que depois foi confirmado. No dia 26, ela piorou e precisou de oxigênio. Foi para a UTI e acabou entubada. Os exames do seu Antonio foram piorando. O comprometimento dos pulmões aumentou. Ele foi para a UTI no dia 28 e acabou entubado. Os dois ficaram na mesma UTI e, por coincidência do processo de internação, acabaram em leitos paralelos, um ao lado do outro. Entubados e sem consciência, não sabiam um do estado do outro.

Foi dona Antonia que se recuperou primeiro. Ela foi extubada no dia 1.º. De novo, a história se repetia. Antonio saiu do tubo um dia depois. Antonia recebeu alta no dia 8; Antonio, no dia 12.

O aparelho de oxigênio no canto da sala verde clara, na casa em São Mateus, zona leste, é um sinal de que a recuperação continua. O equipamento só é necessário de vez em quando, em momento de falta de ar. Seu Antonio ainda reclama da tosse. Ali, eles têm duas “enfermeiras”: a filha Maria Claudia Teles, a caçula de seis irmãos, e a nora Edinalva Teles.

As lembranças da internação são esparsas – é melhor assim. Eles dizem que sentiam sede. Enfermeiras contam que um perguntava do outro, quando começaram a melhorar. A palavra que mais usam para resumir o período é “vitória”. Fazia uma semana que o

Estadão queria conhecer o casal. Seu Antonio saiu do hospital exatamente no Dia dos Namorados. Seria uma história linda para a data. Afinal, eles são namorados há quase seis décadas. Não deu para falar com eles na semana passada. Estavam debilitados e cansados.

O clima de namoro entre os octogenários não desapareceu em uma semana. Pelo contrário. Na hora da foto, o marido espontaneamente segura a mão da mulher, procura um chamego e diz: “Estou namorando.” Existe carinho e contato, independentemente dos cliques. Amor. “A gente precisa ouvir o outro e tentar entender. Acreditar que as dificuldades vão passar. Se um fica nervoso, é melhor deixar para conversar outra hora”, diz ela, explicando como um casamento se sustenta desde 1965.

Os dois são baianos e migraram atrás de uma vida melhor. O casal se conheceu na Igreja de Santo Antônio, no Ipiranga, zona sul de São Paulo. Era um domingo chuvoso. Durante o ritual, só olhares. Na saída, Antonio ofereceu uma carona no guarda-chuva. A princípio, ela disse que não tinha problema em se molhar. Depois, aceitou. “Faz 55 anos que estou debaixo desse guarda-chuva”, acrescentou.

Estadão Digital