O Brasil se posiciona atualmente como o 4º mercado de consumo de medicamentos no cenário mundial, sendo o país com o maior número de farmácias do mundo (60 mil estabelecimentos), numa proporção de 3,34 farmácias para cada 10 mil habitantes, quando o recomendável pela OMS é 1 farmácia a cada grupo de 10 mil.

“Cerca 80 milhões de pessoas são adeptas da auto medicação no país, fato que nos deixa muito preocupados”, alerta Mirtes Peinado da Santa Casa de Maceió, lembrando que é preciso disseminar pela mídia os riscos da auto-medicação.

O uso de medicamentos responde pela maioria dos casos de intoxicação, de acordo com um levantamento feito a partir dos atendimentos no Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox) da Unicamp, em Campinas (SP), que é referência no Brasil. O consumo de remédios corresponde a 33,62% das ocorrências, mais que o dobro, por exemplo, dos atendimentos por picadas de animais peçonhentos e consumo de produtos químicos.

As principais vítimas são crianças e idosos; e medicações populares, como antitérmicos, estão entre as substâncias responsáveis pelas ocorrências.
O estudo foi feito com base nos 5.420 atendimentos realizados no Ciatox em 2017, sendo 1.822 só relacionados à ingestão de remédios. Consultas ao centro podem ser feitas, inclusive, pelo telefone (19) 3521-7555.

Outras quatro causas de intoxicação foram apontadas pelo Ciatox: animais peçonhentos/venenosos, produtos domésticos sanitários (detergentes, alvejantes, removedores e afins), produtos químicos residenciais ou industriais e animais não peçonhentos/não venenosos.
Ronan José Vieira, um dos fundadores do Ciatox, ressalta que as intoxicações por medicamento predominam em todo o mundo. Ele destaca o uso de anticonvulsivante, droga de efeito no sistema nervoso central, ansiolíticos e drogas para melhorar o estado de humor, mas também alerta para remédios mais populares.

“Anti-inflamatórios, medicamentos para dor, hipnóticos provocam intoxicações, e também os antitérmicos, que podem dar intoxicação”, afirma Vieira.Automedicação
Vieira afirma, ainda, que a auto medicação é uma das preocupações, assim como as tentativas de suicídio, por conta das super dosagens.

“As [intoxicações] de auto-medicação têm conveniências, efeitos e interação com outros medicamentos. Se ele, às vezes, dá problema mesmo receitado criteriosamente, usando amadoristicamente é muito mais comum haver problema mais grave e mais frequente”, explica.
Além disso, ele alerta que a auto medicação mascara os sintomas e dificulta o diagnóstico correto.
A psiquiatra e neurologista Silvia Stahlmerlin explica que, no caso da auto-medicação, os efeitos podem ocorrer aos poucos.

“Normalmente começa com alguma confusão mental, a pessoa fica mais lentificada, começa a falar coisas sem sentido, alterações da pupila, fica pequena ou grande, a pressão cai ou aumenta demais, suores, calafrio, mal estar e, às vezes, diarreia e vômito”, ressalta a médica. Crianças e idosos
Segundo o fundador do Ciatox, as crianças são vulneráveis à intoxicação de medicamentos por ingestão acidental, principalmente no período de férias, pois a criança tende a ter mais tempo em casa para procurar e ter acesso às substâncias.

No caso dos idosos, Vieira afirma que muitas vezes a ingestão também ocorre acidentalmente, pois, além de usarem muitos remédios, têm o hábito de tomá-los à noite e podem consumir de forma errada.
“De maneira geral, o medicamento não deve ficar disponível a crianças. Não é só colocar [no] alto porque ela é capaz de procurar. É preciso ficar de fato trancado, em local não acessível”, alerta.

Ele também orienta que as pessoas evitem guardar medicamentos que não foram utilizados completamente, até por perderem a validade e o paciente pode não perceber. “A disponibilidade estimula o uso inadequado”.

G1 e Santa Casa de Maceió

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