Com a morte dos idosos, 20% das famílias que sustentam, morrem com eles

Foto Carta Capital

 

Com crise econômica, aposentadorias ganharam espaço no orçamento familiar e pelo menos 10,8 milhões dependem hoje da renda de idosos para viver. A economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Ana Amélia Camarano observa que a população de 60 anos ou mais, a mais vulnerável ao novo coronavírus, tem um peso econômico significativo e que “a cada idoso que morre, mais uma família entra na pobreza”. Um estudo elaborado por ela aponta que o trabalho dos idosos, aposentadorias ou pensões  representa mais da metade de toda a renda familiar de 20,6% dos lares brasileiros.

Número de lares que dependem da renda de aposentados cresce 12% em um ano

A superdependência de pensões e aposentadorias cresce mais entre os mais pobres. De 2016 para 2017, o número de domicílios em que esses benefícios respondem por mais de 75% da renda avançou 22%, para quase 942 mil residências, entre as famílias da classe E, que ganham até R$ 625 por mês. Considerando todas as classes, a alta foi de 12%.

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Esse aumento é maior para os mais pobres porque nesse grupo o desemprego e a informalidade também são maiores. E, normalmente, a renda com atividades informais é inferior a um salário mínimo, que é o parâmetro das aposentadorias e pensões. O metalúrgico aposentado Antonio Alves de Souza, por exemplo, que ajuda os três filhos desempregados, diz que a esposa faz bicos como faxineira. Antes da crise, ela chegava a ganhar cerca de R$1 mil por mês e hoje consegue tirar pouco mais de R$ 200. Isso fez crescer o peso da sua aposentadoria na renda da família.

Segundo reportagem do jornal O Globo, este tipo de dependência vem se agravando devido ao avanço da Covid-19e que, no caso e morte, as perdas são sentimentais e financeiras. “Há uma dupla perda. Primeiro a afetiva, depois a financeira. E até uma terceira, a de apoio familiar. Muitos avós e avôs cuidam das crianças. Sem creche e escolas, pode ser o único apoio para os pais que precisam trabalhar”, disse Ana Amélia.

A reportagem observa que, segundo o estudo, a renda domiciliar per capita nos domicílios em que os idosos representam mais da metade do orçamento é de R$ 1.621,80. Este valor, contudo, cai para R$ 425,54% no caso da morte dos idosos mantenedores da estrutura familiar.

Ainda conforme o estudo de Ana Amélia, existem no Brasil cerca de que há 4,3 milhões de pessoas com menos de 60 anos que dependem exclusivamente das pessoas na faixa etária acima de 60 anos. “Com certeza (a pandemia) vai aumentar a pobreza. Como a incidência da doença é alta nesses grupos, cada idoso que morre (neste segmento social) é mais uma família que entra na pobreza. São os órfãos da Covid-19”, destacou Ana Amélia.

brasil247.com. Estadão e O Globo

 

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