Ele envelhece bem _ Clint Eastwood, 90

Talvez o grande feito de Clinton Eastwood, (Clint) que completou ontem 90 anos, na arte como na vida, tenha sido conseguir esculpir sua face na pedra, tornar suas rugas experiências vividas no imaginário do público, como os maiores astros de antigamente – Gary Cooper, Spencer Tracy, John Wayne, James Stewart. Clint Eastwood, ou O homem que soube envelhecer. Clint casou-se quatro  vezes, e com Dina Ruiz, quando já tinha 74 anos, em 1996. Foi pai de novo quando já era avô. Tem sete filhos (mais filhas do que filhos) e uma neta.

Ganhou quatro Oscars – duas vezes melhor filme e diretor – por Os Imperdoáveis, de 1992, e Menina de Ouro, de 2005. Por mais de 20 anos sempre houve alguma indicação para Clint e seus filmes. Mas a Academia foi renitente quando ele mais merecia – Gran Torino, de 2008. Honrarias, teve de sobra. Além dos Oscars, presidiu o Festival de Cannes, recebeu o Irving Thalberg Memorial da Academia, o Life Achievemernt do American Film Institute, Globo de Ouro, etc.

Clint, graças a uma amiga da primeira mulher –  Maggie Johnson (30 anos de casados)  –,conseguiu um encontro com o produtor Robert Sparks. Conversaram brevemente no corredor da emissora. Sparks já se afastava quando se virou e perguntou qual era a altura dele: 1,93 m. Foi o que terminou pesando na contratação.O seriado Rawhide foi um sucesso. Durou oito temporadas e 215 episódios. O caubói Rowdy Yates transformou Clint num astro da telinha.

Os três filmes que fez com Sergio Leone, entre 1964 e 66 – Por Um Punhado de Dólares, Por Uns Dólares a Mais e Três Homens em Conflito/Il Buono, Il Brutto e Il Cattivo – foram decisivos para Clint. Numa época em que os mestres (John Ford, Raoul Walsh) e até os novos talentos (Sam Peckinpah) já haviam decretado o fim dos mitos em Hollywood, nenhuma surpresa que Leone tenha feito de seu “mocinho” um aventureiro com um código tão individual que o leva a abrir mão dos escrúpulos. Para completar o mau comportamento, Leone vestiu-o com sombreiro, poncho, mal barbeado e fez com que, o tempo todo, mantivesse na boca uma cigarrilha apagada (que ele odiava). Herói do “Spaghetti Western”.

Nos anos 1970, firmou a imagem de durão, sempre com o trabuco – Dirty Harry virou série, o Magnum 44 era sua marca. As feministas amavam odiá-lo. Mas o porco chauvinista tinha uma ambição. Queria tornar-se diretor, e respeitado. Dirigiu um primeiro filme (Perversa Paixão, de 1971). Dirigiu outro (Interlúdio de Amor/Breezy, de 1973). Com certeza havia ali alguma coisa. Não parou mais de dirigir. Até agora – contando com O Caso Richard Jewell –, são 41 filmes.

Compacto do Estadão

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