Dados do Modelo físico matemático SIR (Susceptível, Infectado, Retirada) apontam que a saúde pública no Brasil pode entrar em colapso dentro de um mês. E os mais atingidos serão os idosos. O modelo foi elaborado pelos astrofísicos José Dias do Nascimento, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte em parceria com o professor Wladimir Lyra da Universidade do Estado do Novo México, EUA. E contou com a colaboração do professor epidemiologista Ion de Andrade e de Kênio Costa, professor do Instituto Envelhecer da UFRN.

 

Em grupos de risco, os idosos carecem de cuidados diferenciados. No distanciamento social, não se pode descuidar do contato com eles

A partir do cruzamento dos dados atualizados pela Organização Mundial de Saúde, diante da pandemia do coronavírus, eles conseguem analisar a previsão da evolução do vírus no Brasil. “O modelo pega uma população doente e vê como ela é infectada e como evolui para a morte e para a cura. É como um grupo de presas e predadores em uma floresta. A gente prevê que os casos irão explodir dentro de uma janela de tempo pequeno. Os idosos são exatamente o grupo de risco total e serão os mais atingidos e as crianças os principais vetores”, disse o professor Ion de Andrade à TRIBUNA DO NORTE.

Através dos dados, alguns pontos importantes estratégicos surgem para que a epidemia seja menos danosa aos idosos. Na visão do epidemiologista, cada bairro pode criar uma rede de proteção aos idosos, em que vizinhos ajudem aos que estão em isolamento. “Todos precisam participar. Os vizinhos podem se revezar para fazer as compras. Em casa nos dias de hoje, as famílias estão menores e se possível, acomodar o idoso em um só cômodo da casa. Cada idoso protegido é um paciente grave a menos na fila do hospital”, disse ele. O médico acredita que o isolamento social, que todos estão fazendo, deve ser complementado e potencializado com a proteção ao idoso.

De acordo com Ion Andrade, o campo de pesquisa que busca encontrar padrões por meio de análises de dados estruturados ou não – poderia ajudar a prever quando apareceriam os próximos casos de contaminações e de fatalidades no Brasil. Diversos países já estão utilizando este tipo de mapeamento da dispersão do vírus para ajustar as suas ações, mas os dois cientistas perceberam que as simulações existentes ainda não estavam analisando a situação do Brasil.

Instituto auxilia na elaboração de estratégias

De acordo com um relatório recente do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) americano, pacientes com mais de 65 anos estão entre os mais afetados por sintomas graves e pela necessidade de internação e cuidados na UTI. Esse cenário se repete na China. No Brasil, de acordo com dados do Ministério da Saúde, os casos mais graves estão entre pessoas de 60 e 79 anos. De um total de 391 casos graves avaliados, cerca de 80 pessoas tinham entre 60 e 69 anos e outras 70 pessoas, entre 70 e 79 anos. Há alto registro, porém, de pessoas contaminadas com idade entre 30 e 49 anos, como é faixa de maior contaminação no Rio Grande do Norte.

Kênio Costa, professor do Instituto Envelhecer, se preocupa com os dados alarmantes. “Estamos prestando consultoria ao município e temos uma parceria com o Estado do Rio Grande do Norte para auxiliar na elaboração de estratégias que diminuam o impacto no Rio Grande do Norte. Fizemos uma nota conjunta, relacionados aos cuidados com a pessoa idosa e alertamos também sobre a importância da vacina de outras gripes para ajudar no processo de diagnóstico”, explica Kênio.

Kênio aponta para medidas importantes neste enfrentamento junto aos idosos: Além da importância da vacinação, existem outras medidas que precisam ser adotadas como: evitar transporte público para deslocamento, higienizar as mãos e utilizar álcool 70%, além de máscaras para a proteção, evitar tocar olhos, nariz e boca, evitar cumprimentar com aperto de mãos, beijos e abraços, principalmente quando estiver aguardando a vacina e permanecer em casa.

“Além disso, estamos entrando em contato com pessoas de projetos de extensão, dentro de sua área voltado para pessoas idosas, para orientações diárias e disponibilizamos vídeos no canal do Instituto Envelhecer para auxiliar os idosos e os cuidadores na prevenção”, finaliza Kênio.

Epidemiologista Ion Andrade sugere que cada bairro crie uma rede de proteção aos idosos, em que vizinhos ajudem aos que estão em isolamento. “Todos precisam participar”, alerta Epidemiologista Ion Andrade
As operadoras de planos de saúde atuantes em Natal, na prestação dos seus serviços à população idosa, devem adotar todas as medidas imprescindíveis à garantia do atendimento e tratamento ambulatorial e hospitalar necessário aos seus assegurados que apresentarem diagnóstico positivo do novo coronavírus (Covid-19). É o que está recomendando o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), por meio da 42ª Promotoria de Justiça de Natal.

O documento, publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) da sexta-feira (27), também indica que as operadoras se abstenham de cancelar os planos com atraso no pagamento da prestação com prazo inferior a 60 dias. Assim, o MPRN quer que seja  assegurado atendimento integral, tendo em vista o caráter emergencial provocado pela pandemia, e em atendimento aos termos prescritos em lei.

Disponibilizar à rede de equipamentos de saúde privados e conveniados o telefone para contato com a ouvidoria do plano, além do fornecimento de todas as informações e orientações essenciais para a realização do atendimento e tratamento dos assegurados idosos com diagnóstico de Covid-19 é outra medida constante na recomendação.

O MPRN frisa que a recusa injustificada em atender os pacientes poderá configurar crime de omissão de socorro, podendo resultar ainda em demais responsabilizações pertinentes. Inclusive, precisam assegurar a prioridade no atendimento preferencial às pessoas com idades a partir de 60 anos, e, a prioridade especial aos maiores de 80 anos, seja na forma presencial ou virtual. Neste último caso, se faz necessária a confirmação da idade no cadastro de atendimento ao cliente para fins de garantia do pleno exercício do direito.

Confira dicas:

A pandemia de Covid-19 impôs uma nova rotina às pessoas. Prevenção e isolamento são duas das palavras mais usadas no momento. E no caso dos idosos, os cuidados devem ser redobrados.

1) Crie uma rotina: a rotina faz com que o idoso fique menos ansioso. É na rotina que você encontra metas e objetivos. Defina atividades e horários;

2) Adaptar exercícios: para os idosos acostumados a fazer caminhadas e exercícios ao ar livre, adapte estes exercícios para conseguir fazer dentro de casa. É o momento de usar e abusar da criatividade;

3) Livros, filmes e jogos: são boas distrações, ajudam a passar o tempo e ainda estimulam o cérebro. É importante que o tema destas atividades sejam alegres e positivos;

4) Manter contato: quarentena não é abandono. É importante manter contato com os idosos por meio de ligações, chamadas de vídeo, envio de fotos e vídeos.

5) Ambiente digital: trazer esse mundo da tecnologia para benefício dos idosos. Apresente o Youtube, as ferramentas de pesquisa, de chamadas de vídeo, jogos, etc. Um idoso pode, por exemplo, conhecer um museu. Diversos museus do mundo todo oferecem visitas virtuais;

6) Jogos de tabuleiro: para idosos não familiarizados com a tecnologia, vale apresentar jogos de tabuleiro. É possível criar momentos de descontração e ainda estimular o cérebro;

7) Oferecer apoio: idosos podem ser dependentes emocionalmente. É de suma importância manter o contato e oferecer apoio. Oferecer-se para ir ao mercado, à farmácia, por exemplo. Prestar suporte nesse momento de tensão.

Fonte: Nadia Benitez, psicopedagoga, especialista em neuropedagogia e CEO da rede Ginástica do Cérebro, referência nacional em estimulação cognitiva.

Tribuna do Norte Online

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