A ciência do envelhecimento avançou nas últimas décadas, possibilitando a ressignificação de mitos sobre a sexualidade das pessoas com 60 anos ou mais. Debater esse tema é um dos propósitos da SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia), que, em 2019, buscou disseminar informação de qualidade e sem preconceitos, especialmente entre profissionais de saúde.

“O velho não é um ser assexuado”, reiterou Carlos Uehara, presidente da SBGG, em entrevista à Agência Brasil de jornalismo, durante o X Congresso de Geriatria e Gerontologia do Estado do Rio de Janeiro.
A Sociedade também realizou, neste ano, outros 23 eventos científicos, somando quase 7 mil participantes, entre especialistas, pesquisadores e estudantes, para debater, entre outros assuntos, a sexualidade dos idosos.

“Mesmo com todos os esforços dos especialistas, diversas construções sociais ainda privam os idosos do amor, da sexualidade e do prazer”, explica o médico Milton Crenitte, que complementa: “Ainda existe um mito da ‘velhice assexual’, que dificulta a inclusão da sexualidade nessa fase da vida”.

Mas a geriatra Roberta Parreira garante: para seus pacientes idosos, a sexualidade quando vivida é parte importante de uma vida saudável. “Eles conversam comigo sobre o assunto quando se sentem à vontade. E dizem que veem o sexo como uma necessidade de vida, algo agradável. Ainda que nesta etapa da vida, por exemplo, homens e mulheres tenham condições físicas e biológicas particulares”, diz.

Entre as mudanças fisiológicas que ocorrem nos corpos com o passar dos anos estão a redução de lubrificação vaginal nas mulheres e o declínio da intensidade do orgasmo, nos homens. Mas o advento dos medicamentos para disfunção erétil, por exemplo, permitiu o retorno à vida sexual ativa para muitos idosos. “Também é preciso entender que a sexualidade pode ser vivida pelo toque, carinho, afeto, pelas relações sociais ou pela maneira que o indivíduo desejar”, defende Crenitte.

Sexualidades – A sexualidade pode ser vivida em sua multiplicidade, conforme disse Uehara, em entrevista à Agência Brasil. Segundo Crenitte, que também é diretor da Eternamente SOU, primeira organização social voltada para atendimento das velhices LBGT, lésbicas, gays, bissexuais e pessoas transgênero, muitas vezes a sexualidade é invisibilizada na maturidade.

“Infelizmente, eles expressam maiores riscos de estarem morando sozinhos, de não terem filhos e de não apresentarem alguém para chamar em caso de uma emergência. Também, surgem questões relacionadas com a falta de confiança nos serviços de saúde e com o medo de sofrer discriminação nesses locais”, relata Crenitte.

“Nessa fase da vida, as pessoas têm uma bagagem biográfica que deve ser respeitada. A pessoa não deixa de ter sexualidade quando envelhece. Se o envelhecer pode trazer algumas perdas e lutos, a sexualidade nesse contexto, quando preservada, é uma maneira de ela se sentir viva e ter qualidade de vida, estar feliz consigo mesmo”, conclui Parreira.

Redação Bonde com Assessoria de Imprensa

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