O CEO do Grupo Boticário, Artur Grynbaum, acredita que a questão geracional é prioritária para empresas também por causa do envelhecimento dos consumidores. “Diversas vezes eu tive consumidoras entrando nas lojas perguntando como uma menina poderia indicar para ela produtos de skincare, voltados para um público mais maduro.”

A entrada da chamada geração Z (pessoas que nasceram entre 1995 e 2010) no mercado de trabalho traz desafios para empresas tradicionais, que precisam estar preparadas para lidar com a diversidade etária e para colocar a seu favor a multiplicidade de perspectivas das diferentes gerações que convivem em um mesmo ambiente de trabalho.

Com a preocupação sobre o futuro das relações profissionais, um grupo de empresas patrocinou o lançamento do Fórum Gerações e Futuro do Trabalho, que pretende discutir e aprimorar processos de diversidade geracional dentro do mundo de negócios.

O primeiro webinar da iniciativa ocorreu ontem e reuniu representantes dos cinco patrocinadores: o Itaú Unibanco, a companhia de seguros Chubb, o grupo de energia EDP, o Grupo Boticário e a companhia de consultoria e auditoria PWC. O Fórum é promovido pela consultoria Mais Diversidade.

“A discussão sobre diversidade no Brasil cresceu nos últimos dez anos, abarcando temas como LGBTI+, gênero, raça e pessoas com deficiência. Mas havia um espaço para debater as questões geracionais”, afirma Ricardo Sales, diretor-executivo do Fórum.

O tema envolve aspectos como aumento da expectativa de vida, mudanças previdenciárias e digitalização dos processos. “Estamos falando de uma nova maneira de fazer negócio e de relacionamento entre cliente e colaboradores. Pela primeira vez, temos quatro gerações diferentes trabalhando no mesmo ambiente”, afirma Leila Melo, diretora executiva do Itaú.

Buscando ampliar o número de colaboradores mais velhos, o Itaú criou um projeto-piloto para contratação de 20 profissionais com mais de 50 anos em agências de São Paulo. Cada um atuava como “consultor de longevidade”, e orientava clientes a partir dessa faixa etária a utilizar os canais digitais do Itaú. “O crescimento dessa jornada digital completa para os clientes atendidos foi de 80% quando comparado com o grupo de controle”, explica Leila.

O CEO da Chubb, Antonio Trindade, diz que o mercado de seguros tem evoluído do ambiente tradicional para o universo digital e que, para preservar vagas, busca capacitar funcionários. “Viemos trabalhando para retreinar nossos colaboradores, para lhes dar apoio nas ferramentas, aumentar suas capacidades técnicas e sua permanência no mercado de trabalho.”

O CEO do Grupo Boticário, Artur Grynbaum, acredita que a questão geracional é prioritária para empresas também por causa do envelhecimento dos consumidores. “Diversas vezes eu tive consumidoras entrando nas lojas perguntando como uma menina poderia indicar para ela produtos de skincare, voltados para um público mais maduro.”

Para auxiliar pessoas no aprimoramento dos processos digitais, a PWC Brasil liberou durante a pandemia o acesso gratuito ao aplicativo DFA, que aplica um teste de conhecimento e fornece informações sobre temas digitais. Ao concluir as etapas, o usuário recebe pontos para diferentes competências profissionais “É importante, porque você consegue, a partir dali, propor novas ideias para a sua empresa e se aprimorar em conteúdo”, diz sócio-líder da PWC, Leandro Camilo.

O CEO da EDP Brasil, Miguel Setas, aponta para a transformação em diversas frentes nos últimos anos. “Estamos em um momento de transição, que envolve também a passagem dos combustíveis fósseis para os renováveis. É um desafio enorme fazer essa transferência geracional de uma empresa que foi fundada há 50 anos para a geração que está chegando agora. Entre 40% e 50% das pessoas que trabalham na empresa vão se aposentar nos próximos dez anos”, afirma Setas.

“A discussão sobre diversidade cresceu no Brasil. Mas havia espaço para debater as questões geracionais”

Ricardo Sales

DIRETOR DO FÓRUM GERAÇÕES E FUTURO DO TRABALHO

Estadão Digital