Lya Luft, 81 anos, demasiadamente humana

 

Aos 81 anos, e tendo a sua vida marcada por inúmeras perdas familiares – dentre as quais a morte prematura do filho André, aos 51 anos, que sofreu parada cardiorrespiratória enquanto praticava surfe em Santa Catarina, em novembro de 2017, foi a mais recente, que a abalou profundamente –, a escritora gaúcha Lya Luft restabelece uma rotina, na companhia do marido Vicente, dividindo-se entre o apartamento em Porto Alegre e a residência em Gramado. Na entrevista que concedeu ao Magazine, ela avalia essa “época triste, trágica e conflitante”, e busca, por meio da escrita, dar a sua contribuição a fim de que se possa entender e, tão logo possível, superar esse momento. Em As coisas humanas, pode-se pensar (e repensar) esse humano, “demasiado humano”, como sugeria Nietszche.

“As coisas humanas”, Editora Record, (cerca de R$ 30,00) , apesar das dificuldades de sua distribuição nas livrarias, está disponível junto à editora, e nas plataformas digitais, tanto no formato de e-book quanto no exemplar físico.

A entrevista do site GAZ Magazine foi compactada aqui:

Como tens enfrentado a quarentena? Como a artista Lya enxerga esse período tão inusitado?

Lya Luft – Enfrento a quarentena com tranquilidade, como um dever natural, diante das trágicas circunstâncias mundiais, e cumpro fielmente. Mas claro que há muitos incômodos, como passar até o Dia das Mães longe dos filhos.

Esse cenário social, no País e no mundo, convida de alguma forma a criar na arte? Ou até isso fica complicado?

Época triste, trágica e conflitante. Difícil controlar as comunidades, maiores e menores, poucos países com liderança firme e clara, e tudo que é inusitado assusta. Além disso, há os que não acreditam ou diminuem a realidade. A mim esse período deixa mais paralisada do que inspirada. O mundo mudou. Como será tudo quando a doença se aquietar?

Estás lançando novo livro de crônicas. Como a obra se associa a esse contexto atual, de ameaça global à saúde?

O livro e o título estavam prontos bem antes de aparecer o vírus. Falo das coisas humanas internas, pessoais, cotidianas ou transcendentes. No fundo, meus temas de sempre.

Enquanto cronista, sempre tiveste posicionamento firme sobre o ambiente político. Como vês a atualidade em termos de lideranças públicas?

Acho de modo geral lamentáveis nossas lideranças, com exceções (a exemplo dos governadores Eduardo Leite e Wilson Witzel, do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, e de outros). Mistura-se joguinhos políticos com questões de vida ou morte. Acho isso criminoso.

Tua história de vida é marcada pela superação. Como se portar diante do ambiente de insegurança e de medo criado pela pandemia?

Todos fazemos grandes ou pequenas superações pessoais pela vida. Perdas diversas, decepções, fracassos são normais. Talvez eu tenha muito amor à vida, alguma confiança que me foi incutida desde menina. Não sei. Nada tem sido fácil. Tive sempre apoios importantes, sobretudo dos filhos e algumas amizades essenciais. Muito trabalho ajuda sempre. A pandemia nos deixa a todos inseguros, pois é uma doença nova, desconhecida, e ninguém ainda sabe o que fazer.

A arte – e, nela, a literatura – pode ajudar as pessoas a enfrentar melhor esse momento?

A arte sempre ajuda o artista, como qualquer trabalho ajuda as pessoas. Ajuda também a quem a curte, seja pela contemplação da beleza, seja pela emoção ou reflexão, seja pela distração.

Compcto da entrevista ao site GAZ 

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